As cicatrizes na vida – Gálatas 6.17

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Terminando sua carta aos irmãos da Galácia, Paulo, o apóstolo, faz um pedido declarando sua lealdade a Cristo. Um pedido para que ninguém mais o molestasse, para que ninguém trouxesse mais tribulações a ele além das que vivenciava. Paulo foi perseguido, caçado como um animal, passou por privações, insultos, dificuldades diversas, foi acusado pelos legalistas de pregar um falso evangelho para agradar aos homens, não foi reconhecido como apóstolo em Jerusalém, foi acusado de traidor da causa cristã, de repreender a Pedro e de deixar Barnabé. O que Paulo pediu foi para que cessassem as acusações e as críticas e que pudesse continuar seu trabalho em paz. Um trabalho que tinha legitimidade, afinal, sua lealdade a Cristo fora marcada em seu próprio corpo. Ele tinha os estigmas, as cicatrizes, marcas comuns em escravos e animais para identificação de seu dono ou de sua lealdade, Paulo as tinha por suas feridas provocadas por tratamentos cruéis que recebera, pelos espancamentos, apedrejamentos e encarceramentos que experimentou. Enquanto os legalistas se orgulhavam de sua circuncisão e se esqueciam da prática da religião, Paulo mostrava suas marcas muito mais significativas.

Como na vida do apóstolo, as cicatrizes são sinais, vestígios de dor e danos. São lembranças ou impressões duradouras de golpes físico, moral ou psicológico. Paulo recebeu muitas cicatrizes, nós também as recebemos em nossas experiências.

Muitos são marcados por alguma opressão e injustiça, outros pelo tempo, ainda outros pela discriminação e preconceitos, existem muitos marcados pelas doenças e vícios e ainda aqueles que foram lesados por comportamentos danosos como a traição e o adultério, dentre outros.

Na nova vida proposta por Cristo cada cicatriz pode ser ressignificada. A dor, o trauma, a angústia, a escravidão de um comportamento, a visão de mundo, os relacionamentos doentios e qualquer marca pode deixar de ser dorida e significar algo muito maior. Um escravo de algum comportamento ou de algum vício pode ser liberto; uma cicatriz física que trazia vergonha e péssimas lembranças, pode se tornar uma marca de um bom testemunho e de um livramento. Como Raabe, por exemplo, com um comportamento de prostituição, após proteger os guardas de Israel, habitou entre os Israelitas, casou-se com Salmom, deu à luz Boaz, que foi bisavô de Davi; tornando-se assim da linhagem de Jesus (Js 6). Como Davi que adulterou e pôde encontrar perdão (Sl 51). Como Pedro que traiu e pôde se reconciliar (João 18.17, 18, 25-27).

Para que cicatrizes sejam ressignificadas em nossas vidas, precisamos nos dispor a mostra-las a Cristo, com toda a verdade e dor; também a mostrar arrependimento diante de cicatrizes que fizemos em outros ou em nós mesmos através de uma atitude pecaminosa; precisamos crer na justificação e no poder purificador de Cristo e a aceitar, com alegria, as marcas de uma vida com Jesus.

Que o Senhor nos conduza nesse processo de ressignificação de nossas marcas.

Reverendo Jorge Diniz

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