Tempo do Advento: A Anunciação – Mt 2.1-12; Lc 2.8-20

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O Tempo do Advento é um tempo no qual a Igreja cristã se prepara para o Natal. Durante quatro domingos refletiremos sobre esta preparação pela espera da chegada do Senhor Jesus.

Nesse período meditaremos sobre como percebemos e como recebemos o anúncio da chegada de Jesus. A primeira comemoração do Advento data o ano de 380 da era cristã, prescrita pelo Sínodo de Saragoça. Ano após anos, faz-se necessária esta preparação, pois não podemos receber o Cristo de qualquer maneira.

Os Evangelhos de Mateus e de Lucas narram o anúncio da chegada do menino Jesus. Cada um registrou um aspecto específico do maravilhoso acontecimento. As duas narrativas não se excluem, antes, se completam, possibilitando uma compreensão mais ampla do nascimento do Salvador.

Em Mateus o Anjo do Senhor anuncia a José, que havia repudiado Maria em segredo, que o filho no ventre de Maria havia sido gerado pelo Espírito Santo. Com isso, José acolhe Maria e também ao menino. Mas há também no Evangelho de Mateus a história dos magos do Oriente que viram a estrela do Senhor surgir no céu e agora anunciam a chegada do Messias em Jerusalém ao perguntar: “Onde está o rei dos judeus recém-nascido?” A cidade se alvoroçou com aquela notícia. O assunto chegou ao conhecimento do rei Herodes. Tanto o povo quanto Herodes ficaram alarmados com a possibilidade de um novo rei de Israel ter surgido.

O Evangelho de Lucas, por sua vez, narra que o anjo Gabriel anuncia à Maria que ela seria a mãe do Salvador e com alegria Maria acolhe o anúncio. Assim como em Mateus, o Evangelho de Lucas narra outra anunciação. O Anjo do Senhor aparece num campo próximo a Belém e anuncia a chegada do Cristo-Senhor aos pastores que em vigília guardavam seu rebanho. Eles recebem a notícia num misto de temor e alegria, mas acolhem o anúncio em seus corações.

Embora sejam semelhantes às formas narrativas, existe um grande diferencial entre as histórias, pois o modo como Herodes e os pastores reagem ao anúncio é totalmente diferente.

Herodes recebe a notícia e procura saber mais sobre as profecias acerca do Messias dos judeus, querendo saber onde deveria nascer o menino rei. Em consulta aos sacerdotes e escribas fica sabendo que Belém é a cidade “fecunda” (Éfrata). Não satisfeito, consulta em secreto aos magos do Oriente, para não dar crédito aquela notícia que se espalhara pelas cidades. Herodes temia que uma revolta dos judeus, semelhante à Revolta dos Macabeus, liderada por Judas Macabeu 160 anos antes, se repetisse.

Herodes queria eliminar a menor possibilidade do povo judeu ter um novo líder que os liderasse para a libertação dos romanos. Enfurecido por ter sido enganado pelos magos, Herodes ordena o assassinato de todos os meninos com idade inferior a dois anos. Diante da anunciação da chegada do Cristo, Herodes colocou seus interesses pessoais, isto é, o desejo de manter o estado de dominação e opressão romana sobre os judeus, acima da vontade de Deus.

Por sua vez, os pastores correram para Belém para ver o Salvador e lá se encontraram com Maria, José e com o menino deitado numa manjedoura. Depois de anunciar o que ouviram do anjo, eles voltam para o campo “glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido”. Herodes queria eliminar o menino e, por certo, colocou guardas à procura do menino ou de informações sobre seu paradeiro. Os pastores enfrentaram o medo e o perigo que corriam para se encontrar com o rei dos judeus. E ao se encontrar com o menino, a falta de teto, a pobreza de seus pais, a fragilidade daquele rei menino, não foi motivo de desânimo ou desesperança. Com singeleza de coração, eles recebem o Cristo. Não só o recebem como também, agora, o anunciam pelo caminho.

Que tipo de pessoas somos ao receber tão maravilhosa Boa Nova?

Anunciemos a chegada do menino Jesus, como os pastores de Belém!

Felipe Costa, Licenciado ao Ministério Pastoral

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