A Sacralidade da Administração

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A ordem e o planejamento como exercício da espiritualidade

Nesta manhã nos reunimos em assembleia geral ordinária para apreciarmos e aprovarmos um orçamento para o próximo ano, difícil tarefa comunitária. Uma questão grita: Como podemos nos reunir e celebrar um culto a Deus apreciando algo tão técnico e administrativo como um planejamento e um orçamento para um ano? A sensação é que a administração e a técnica foram privilegiadas em detrimento da devoção e da espiritualidade. Um sentimento de que quando tratamos de aspectos administrativos da vida, privilegiamos o “secular” e o “espiritual” é abandonado, seria como se não cultuássemos ao Senhor. Há um imenso engano aqui. A boa e saudável espiritualidade contempla e integra a vida em sua totalidade, inclusive seus aspectos administrativos. Apreciarmos um planejamento e decidirmos por qual caminho trilharemos no ano que vem é compreender os desígnios e os propósitos de Deus, é clamar a Ele por provisão e cultuá-Lo em gratidão, esperança e adoração.

Tratamos como sacro, como santo ou como “espiritual” somente as atividades ou coisas relacionadas à esfera pística da vida, ou “esfera da fé”, tudo aquilo que se relaciona com o Sagrado em uma definição “vulgar”, popular. Consideramos espirituais a oração, a escola dominical, o culto, o jejum, a meditação, a leitura da Palavra, o sermão, a contrição, a absolvição, as visitas aos enfermos ou qualquer atividade que se encaixe naquilo que consigamos, de forma genérica, definir como “obra de Deus”. Obra de Deus é o mundo em movimento, em total atividade, na sua totalidade. Quando cuidamos de todos os aspectos da vida, inclusive dos aspectos administrativos, cuidamos da obra de Deus. Recebemos o legado original de dominar, governar e cuidar de toda a sua criação. Coisa que devemos fazer não apenas em nossos encontros, em nossas assembleias anuais, mas também na particularidade de cada um e de cada família, nossos orçamentos domésticos devem refletir a saúde de nossa espiritualidade, nossas contas previstas e pagas em dia devem refletir que somos discípulos de Jesus e bons mordomos de tudo o que nos é confiado. Tempo como este de hoje, uma assembleia de planejamento e orçamento deve nos convidar a planejar e estabelecer também um orçamento pessoal e familiar.

Administração é um dos dons do Espírito. Jesus utilizou parábolas sobre mordomos fiéis e infiéis, proprietários de terras e bons administradores de dinheiro para ensinar seus princípios eternos sobre uma boa administração integral além de o Espírito Santo inspirar Paulo a nos ensinar que tudo deve ser realizado com decência e ordem (1Co 14.40). Como instituição a igreja esmera-se em uma administração exemplar e nós, como cristãos, nos comprometemos com a manutenção dela.

Se ignorarmos essa administração exemplar, não planejaremos, não prestaremos contas, não distribuiremos bem os recursos sagrados; não lidaremos bem com o dinheiro, e isso se tornará em um grande problema; não estabeleceremos ou manteremos bem nosso templo com dignidade; faltar-nos-á uma estrutura organizacional de amor e de serviço como instrumento de vida na comunidade de fé, instrumento gerador de crescimento e maturidade.

Cultuemos, adoremos, sirvamos, participemos e celebremos ao Senhor também com nossa boa administração.

Reverendo Jorge Diniz

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