O cristão deve dizimar? – 2Co 9

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“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, advertiu Paulo ao jovem Timóteo. Jesus explicou em seu famoso Sermão do Monte que o homem não poderia servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. A relação homem/dinheiro/religião é vista com olhares desconfiados em nossos dias, uma vez que muitas são as percepções acerca do dinheiro, encontradas nas igrejas evangélicas; em muitos casos, tais percepções são estranhas à proposta do Evangelho de Jesus Cristo.

Não incomum, tornou-se, no mínimo, incômodo falar sobre dízimo até mesmo nas igrejas históricas. O motivo para isso pode estar relacionado ao fato de que em muitos espaços evangélicos, a prática da coleta financeira ter tomado ares de barganha com o Deus. Nesses espaços de fé, o crente que não contribui com seus dízimos e ofertas sofrem pressão religiosa sendo ameaçados com versos e passagens – principalmente do Antigo Testamento –, afirmando que Deus enviaria “o devorador” sobre suas finanças. Assim, o pagamento do dízimo seria para estes um tipo de “propina divina”, com intuito de forçar com que Deus impeça o ataque das forças do Mal sobre o fiel. Uma verdadeira tragédia teológica.

Mas, o que a Bíblia diz no que concerne ao dízimo?

A Bíblia trata do dízimo como uma ordenança divina de três modos no Antigo Testamento. (1) Num primeiro momento ele é destinado aos descendentes de Levi: “dou como herança aos levitas os dízimos que os israelitas apresentarem como contribuição ao Senhor”, pois eles não tinha herdado terras na distribuição inicial. Isto é, dinheiro para sustento daqueles que ficaram responsáveis pelo cuidado religioso integralmente. (2) Outro tipo de dízimo era reservado ao patrocínio das festas religiosas anuais de Israel. Os frutos do campo eram levados à Jerusalém para usufruídos coletivamente (Dt 14.22-23). (3) Havia ainda um terceiro tipo de dízimo: o de socorro aos mais frágeis da sociedade. Estrangeiros, pessoas sem terra ou sem herança, órfãs e viúvas era alvo dessa coleta feita a cada três anos. A Lei Mosaica assim tratava o dízimo na Primeira Aliança.

Porém, com a Nova Aliança, firmada na pessoa de Jesus Cristo, toda lei caducou (Hb 8.13). Vivemos no tempo do Espírito; e nesse tempo, as palavras do Cristo resignificaram toda Lei Mosaica. E isso vale para o dízimo também. Como, então, fica o dízimo agora?

O dízimo deixou de ser uma ordenança, um mandamento; na proposta do Evangelho ele dá lugar ao compromisso de amor com o reino de Deus: “Cada um dê como dispôs em seu coração, sem pena nem constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria”. Paulo tratou desse tema nas igrejas cristãs quando a região da Judéia passou por um período de fome (At 11.27-30). Coríntos, gálatas, romanos, moradores da Antioquia e de vários outros lugares se empenharam em dar suporte aos necessitados.

Uma igreja que é compromissada com o reino de Deus recebe dízimos e ofertas de pessoas que dão liberalmente, generosamente e com gratidão a Deus por tudo que Ele fez e tem feito por meio de Sua Igreja, e os aplicam no cuidado dos mais fracos, na anunciação das Boas Novas, na manutenção de seus templos e no sustento de seus pastores e pastoras.

Nós cristãos devemos dizimar não por obrigação ou por medo; antes, o fazemos nosso compromisso e por nosso amor ao reino de Deus.

Licenciado Felipe Costa

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